ALLAN KARDEC

 

 

O pseudônimo "Allan Kardec", segundo biografias, foi adotado pelo Prof. Rivail a fim de diferenciar

 a Codificação espírita dos seus trabalhos padagógicos anteriores. Segundo algumas fontes,

o pseudônimo foi escolhido pois um espírito revelou-lhe que haviam vivido juntos entre os druidas,

 na Gália, e que então o Codificador se chamava "Allan Kardec".

A juventude e a atividade pedagógica

Nascido numa antiga família de orientação católica com tradição na magistratura

e na advocacia, desde cedo manifestou propensão para o estudo das ciências e da filosofia.

Fez os seus estudos na Escola de Pestalozzi, no Castelo de Zahringenem, em Yverdun,

na Suíça (país protestante), tornando-se um dos seus mais distintos discípulos e ativo propagador

de seu método, que tão grande influência teve na reforma do ensino na França e na Alemanha.

Aos quatorze anos de idade já ensinava aos seus colegas menos adiantados.

Concluídos os seus estudos, o jovem Rivail retornou ao seu país natal.

Profundo conhecedor da língua alemã, traduzia para este idioma diferentes obras

de educação e de moral, com destaque para as obras de François Fénelon, pelas quais

manifestava particular atração.

Era membro de diversas sociedades, entre as quais da Academia Real de Arras, que, em concurso

 promovido em 1831, premiou-lhe uma memória com o tema Qual o sistema de estudos

mais de harmonia com as necessidades da época?

A 6 de fevereiro de 1832 desposou Amélie Gabrielle Boudet.

Como pedagogo, o jovem Rivail dedicou-se à luta para uma maior democratização do ensino público.

Entre 1835 e 1840, manteve em sua residência, à rua de Sèvres, cursos gratuitos de Química,

Física, Anatomia comparada, Astronomia e outros. Nesse período, preocupado com a didática,

criou um engenhoso método de ensinar a contar e um quadro mnemônico da História de França,

visando facilitar ao estudante memorizar as datas dos acontecimentos de maior

expressão e as descobertas de cada reinado do país.

Allan Kardec.Conforme o seu próprio depoimento, publicado em Obras Póstumas, foi em 1854

que o Prof. Rivail ouviu falar pela primeira vez do fenômeno das "mesas girantes", bastante

difundido à época, através do seu amigo Fortier, um magnetizador de longa data. Sem dar

 muita atenção ao relato naquele momento, atribuindo-o somente ao chamado magnetismo

animal de que era estudioso, só em maio de 1855 sua curiosidade se voltou efetivamente para

as mesas, quando começou a freqüentar reuniões em que tais fenômenos se produziam.

Convencendo-se de que o movimento e as respostas complexas das mesas deviam-se à

intervenção de espíritos, Rivail dedicou-se à estruturação de uma proposta de compreensão

da realidade baseada na necessidade de integração entre os conhecimentos científico,

filosófico e religioso, com o objetivo de lançar sobre o real um olhar que não negligenciasse

 nem o imperativo da investigação empírica na construção do conhecimento, nem a dimensão

 espiritual e interior do Homem. Adotou, nessa tarefa, o pseudônimo que o tornaria conhecido

- Allan Kardec - nome esse, segundo o que teria lhe dito um espírito, que teria utilizado

em uma encarnação anterior como Druida.

Tendo iniciado a publicação das obras da Codificação em 18 de abril de 1857, quando veio à luz

 O Livro dos Espíritos, considerado como o marco de fundação do Espiritismo, após o lançamento

 da Revista Espírita (1 de janeiro de 1858), fundou, nesse mesmo ano, a primeira sociedade

 espírita regularmente constituída, com o nome de Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas.

Os últimos anos

Túmulo de Allan Kardec no Père Lachaise, em Paris.Kardec passou os anos finais da

sua vida dedicado à divulgação do Espiritismo entre os diversos

simpatizantes, e defendê-lo dos opositores.

Faleceu em Paris, a 31 de março de 1869, aos 64 anos de idade, em decorrência da

 ruptura de um aneurisma, quando trabalhava numa obra sobre sobre as relações entre

o Magnetismo e o Espiritismo, ao mesmo tempo em que se preparava para uma mudança

de local de trabalho. Está sepultado no Cemitério do Père-Lachaise, uma célebre necrópole

da capital francesa. Sobre seu túmulo, erguido como os dólmens druídicos, lê-se a inscrição:

 "Nascer, morrer, renascer ainda e progredir sem cessar, tal é a lei".

Em seu sepultamento, o astrônomo francês e amigo pessoal de Kardec, Camille Flammarion,

proferiu o seguinte discurso, ressaltando a sua admiração por aquele que ali baixava ao túmulo:

"Voltaste a esse mundo donde viemos e colhes o fruto de teus estudos terrestres.

Aos nossos pés dorme o teu envoltório, extinguiu-se o teu cérebro, fecharam-se-te os

olhos para não mais se abrirem, não mais ouvida será a tua palavra... Sabemos que

todos havemos de mergulhar nesse mesmo último sono, de volver a essa mesma inércia,

a esse mesmo pó. Mas, não é nesse envoltório que pomos a nossa glória e a nossa esperança.

 Tomba o corpo, a alma permanece e retorna ao Espaço. Encontrar-nos-emos num mundo melhor

e no céu imenso onde usaremos das nossas mais preciosas faculdades, onde continuaremos

os estudos para cujo desenvolvimento a

Terra é teatro por demais acanhado. (...) Até à vista, meu caro Allan Kardec, até à vista!"

(Discurso pronunciado junto ao túmulo de Allan Kardec por Camille Flammarion.)

 

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